terça-feira, 9 de outubro de 2012
Contramão
Contramão (André Soska)
Acordo bem cedo para ir trabalhar
Saio de casa com medo de não mais voltar
Na esquina há drogas e destruição
As pessoas estão perdendo a razão
Fico na parada pensando se vou ficar bem
Fico com medo quando vejo a sombra de alguém
Ninguém mais se sente seguro em nenhum lugar
Nunca sabemos pra onde uma arma vai apontar.
Subo no onibus lotado, não há espaço pra se mexer
O transporte público é um problema que ninguém quer resolver
As pessoas já não tem vergonha nem consideração
Ninguém se levanta pra dar lugar a quem precisa, onde está a boa ação?
As pessoas só sabem sentar no sofá e fingir que nada está acontecendo
Ligam o som bem alto pra não ouvir que na rua há pessoas que estão sofrendo
Ninguém parece se importar, as marcas famosas só querem lucrar
Seja em cima da violência, do preconceito, não importa o que tiver que explorar.
No caminho para o trabalho eu vejo pessoas jogadas no chão
Há fome e miséria em cada rua, também há tanta prostituição
Jovens de no máximo 14 anos entregando seus corpos pra quem puder pagar
Talvez por necessidade, talvez por luxúria, aonde vamos parar?
O povo só quer saber de festa e de "curtição"
Ouvem músicas com letras absurdas, que parecem mais poluição
As mulheres se rebaixam a um nivel que eu não consigo entender
Ouvem insultos de todas as formas mas continuam rebolando pra todo mundo ver.
As pessoas estão correndo em uma péssima direção
Aceleradas com imprudência e insensatez em plena contramão
Eu só vejo impaciência e nada além do que autodestruição
Onde vamos parar se nada mudar? Por favor, saiba dizer não!
Não à inveja, não ao descaso, não à falta de atenção
Não às guerras, não à fome, não à falta de opção
Não à miséria, não à ignorância, não à falta de consideração
Não à drogas, não ao desrespeito, não à todo o mal que machuca o coração.
Depois do trabalho, quando volto para casa, fico um pouco com meus pais
Discuto assuntos como estes que me deixam irado e pensativo demais
Olho televisão com eles só pra passar um tempo com os dois
Noto que ela só ensina coisas tão erradas que as crianças vão imitar depois
Na noticiário só falta o sangue escorrer da tela
Pior do que isso só mesmo é a hora da novela
Só mostra traição, mentiras e discriminação
E os pais ainda deixam seus filhos pequenos assistirem, que situação!
Está chegando a época de mentiras, falsidade e contradição
São raros os políticos que pensam no povo sem ser em época de eleição
Vejo tantas placas, folders, cartazes e publicidade
Mas qual deles faz alguma coisa na realidade?
Prometem tanto, cumprem pouco, só estão ali pelo dinheiro
Só começam a agir quando precisam de voto, ficam parados o ano inteiro
E quando chegam lá querem roubar, é tão difícil quem faz por merecer
E aqueles que tentam não conseguem porque mais ninguém lá quer fazer.
À noite eu deito na cama com dor de cabeça, é tanta coisa pra pensar
Às vezes quase entro em desespero mas somente eu, não posso concertar
Se o povo todo se unisse teríamos força pra qualquer coisa transformar
Se todos andássemos na mesma direção poderíamos chegar a algum lugar
Os problemas existem, alguns são evidentes, outros já conseguem se camuflar
Se cada um fizesse a sua parte muitos deles poderiam acabar
A solução parte de cada um de nós, basta erguermos a nossa voz pra falar
E pararmos de reclamar, arregaçarmos as mangas e começar a lutar.
As pessoas estão correndo direto pro olho do furacão
Aceleradas com luxúria e egoísmo em plena contramão
Eu só vejo intolerância e nada além do que autodestruição
Onde vamos parar se nada mudar? Por favor, saiba dizer não!
Não à brigas, não a violência, não à falta de consideração
Não às loucuras, não à tristeza, não à falta de opção
Não ao preconceito, não ao recismo, não à falta de consideração
Não à baixaria, não à hipocrisia, não à todo o mal que destrói o coração.
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